domingo, 29 de setembro de 2013

Lembranças Profª Vera Alice



No dia do meu aniversário de seis anos fui à escola pela primeira vez. Tanta ansiedade e a escola se resumia a uma sala grande com quatro fileiras de carteiras, um quadro negro e um fogão de lenha no canto. Quando a professora chegou parecia que meu coração ia sair pela boca. Cumprimentou todos, dividiu a lousa em quatro partes e começou a  aula pela 4ª série, depois passou para a 3ª e pela 2ª série. Finalmente chegou a nossa vez.
 Eu  admirava tudo e achava que ia ser difícil, mas o modo com que a professora conduzia a aula tornava tudo encantador e a vontade de aprender a ler e escrever era tanta  que acho que foi fácil. É  uma das minhas lembranças mais antigas.
Cartilha caminho suave, livros surrados, materiais escassos e muita dedicação, vontade  e apoio. Realmente, quando leio a frase que “ler é uma janela que se abre para o mundo”, vejo que se aplica diretamente ao que aconteceu comigo.
A partir daí lia tudo que  me vinha nas mãos: revistas usadas, jornais velhos, livros de receitas entre outros. Para mim a leitura sempre foi bem mais fácil, do que a escrita. Conforme ia lendo meu pequeno mundo ia se modificando e a imaginação crescendo. Sempre tive mais dificuldades para passar para o papel o que penso, do que para falar. A leitura enriqueceu meu vocabulário,  abriu portas e me fez ser uma pessoa mais confiante e perseverante e achar que eu também podia chegar lá. Livros Como Éramos seis, O feijão e o sonho, O escaravelho do diabo e A ilha perdida fizeram parte da minha história.
No  momento estou lendo Água para elefantes, de Sara Gruen e termino meu depoimento com a frase de sua capa: “A VIDA É O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA.”



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