No dia do
meu aniversário de seis anos fui à escola pela primeira vez. Tanta ansiedade e
a escola se resumia a uma sala grande com quatro fileiras de carteiras, um
quadro negro e um fogão de lenha no canto. Quando a professora chegou parecia
que meu coração ia sair pela boca. Cumprimentou todos, dividiu a lousa em
quatro partes e começou a aula pela 4ª
série, depois passou para a 3ª e pela 2ª série. Finalmente chegou a nossa vez.
Eu admirava
tudo e achava que ia ser difícil, mas o modo com que a professora conduzia a
aula tornava tudo encantador e a vontade de aprender a ler e escrever era
tanta que acho que foi fácil. É uma das minhas lembranças mais antigas.
Cartilha
caminho suave, livros surrados, materiais escassos e muita dedicação,
vontade e apoio. Realmente, quando leio
a frase que “ler é uma janela que se abre para o mundo”, vejo que se aplica
diretamente ao que aconteceu comigo.
A partir daí
lia tudo que me vinha nas mãos: revistas
usadas, jornais velhos, livros de receitas entre outros. Para mim a leitura
sempre foi bem mais fácil, do que a escrita. Conforme ia lendo meu pequeno
mundo ia se modificando e a imaginação crescendo. Sempre tive mais dificuldades
para passar para o papel o que penso, do que para falar. A leitura enriqueceu
meu vocabulário, abriu portas e me fez
ser uma pessoa mais confiante e perseverante e achar que eu também podia chegar
lá. Livros Como Éramos seis, O feijão e o sonho, O escaravelho do diabo e A
ilha perdida fizeram parte da minha história.
No momento estou lendo Água para elefantes, de
Sara Gruen e termino meu depoimento com a frase de sua capa: “A VIDA É O MAIOR
ESPETÁCULO DA TERRA.”
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